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riscos_e_rabiscos

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Cenas de Autocarro #1

 

Depois de uma seca de vinte minutos bna paragem, eis que surge o meu ansiado autocarro. Feliz e contente, entrei - carregadíssima como sempre com a minha mala da escola, e com volume acrescido devido ao casaco/edredon contra o frio - no autocarro e avisto, ao fundo ao lado de uma moçoila, um lugar vago para onde me dirijo.

 

Peço licença à moçoila, que se encontrava sentada no banco de perna cruzada e a contar cabelos espigados. A moçoila foi uma "querida", do mais riquinho que há: para que eu pudesse passar para o outro lugar do banco, desviou as pernas um niquinho, prai 10 cms, como se isto fosse o suficiente para o que quer que fosse passasse. Ainda pra mais EU, inchada do casaco e da mala e com o meu "inchaço natural", pois não sou propriamente uma folha de papel. Como se isto não bastasse, o raio do banco ainda tinha um mini-degrau para dificultar mais as coisas.

 

De nariz franzido mas com bons modos, disse à moçoila, conforme escorregava no degrau "assim vai ser um pouco complicado passar... ", ao que ela me respondeu sem mover um único músculo do corpo (a não ser os que já vão perceber) e mastigando uma super pastilha elástica de boca aberta "ve(nham)ja(nham) se(nham) con(nham)se(nham)gue(nham) passar(nham-nham)... ". Desencantei as propriedades elásticas que desconhecia que o meu corpo possuia e esgueirei-me por aquele espaço exíguo até ao tão desejado banco.

 

Ora se esta gaja tivesse ficado em casa a mascar pastilha elástica de boca aberta e a contar cabelos espigados, tinha feito um favor à sociedade e à humanidade em geral. Pelos menos deixava um lugarzinho vago para quem anda a trabalhar e anda mais morto que vivo!